O Reino Encantado de uma Leitora: Triste
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Romeu e Julieta | William Shakespeare




Páginas: 149
Editora: Martin Claret
Autor: William Shakespeare
Lançamento: 2008 (essa versão)

Sinopse:
Em Verona, na Itália, por volta de 1600, a rivalidade entre os Montecchios e os Cappuletos acentua-se e os conflitos estendem-se a parentes e criados, apesar do apelo do príncipe pela paz. Num baile de máscaras na casa dos Cappuletos, Romeu Montecchio conhece Julieta Cappuleto. A paixão é mútua e instantânea. Ao descobrir que pertencem a famílias inimigas, os dois se desesperam. Resolvem casar-se secretamente, com a cumplicidade de frei Lourenço. No entanto, o destino desse amor seria trágico.



8ª Resenha do 'Mundo do Leitor'

CLASSIFICAÇÃO:



Minha opinião sobre este livro:


    Confesso que nunca tinha lido o clássico Romeu e Julieta, só sabia o que "contavam" sobre este livro: as famílias inimigas, o amor verdadeiro, a confusão, o veneno e o fim trágico.

    Mas quem não conhece a história deles? O amor impossível do jovem casal de famílias inimigas? Pois é, tudo o que falam está no livro, nada a mais. Eu adorei ler porque eu fiquei sabendo os detalhes deste enredo: o baile de máscara, o nome de algumas personagens que eu não conhecia antes, assim como suas respectivas personalidades e certos acontecimentos que eu desconhecia.

  Romeu e Julieta apaixonam-se à primeira vista no baile de máscaras da família Cappuleto, sem saberem que as suas famílias são inimigas. E, ao descobrirem, se desesperam.

Nasce o amor desse ódio que arde?Vi sem saber, ao saber era tarde.Louco parto de amor houve comigo.Tenho agora de amar meu inimigo.- Ato I, Cena V

    Contrariando toda a problemática que a paixão deles causaria, resolvem atar os laços deste amor casando-se secretamente com a ajuda e a cumplicidade do frei Lourenço. Muito romântico, não é? Pense bem, pois muitos problemas surgem a partir daí.
    As brigas entre as duas família sufocam e dificultam o amor dos dois. Numa dessas brigas, Romeu mata Tebaldo e é obrigado a deixar Verona. Em meio a tristeza por estar longe do amado, e não saber quando voltará a vê-lo, e ao luto por seu primo, o pai de Julieta marca o seu casamento com o conde Páris para dali a alguns dias.

   Sem saber o que fazer, pois já estava casada com Romeu, a jovem procura o frei Lourenço em busca de ajuda. Este, então, entrega-a um elixir que fará com que ela pareça morta, para poder, assim, fugir e viver com seu verdadeiro amor.

   Tudo dá certo, exceto que Romeu não recebe a mensagem com o plano do frei. Ele pensa que ela morreu mesmo. Então decide morrer junto da amada tomando o veneno. Julieta acorda e vê Romeu morto ao seu lado e se mata com uma adaga.

    Benvólio é, depois de Romeu, meu Monttechio favorito. Ele colocou-se a disposição para ajudar o primo, cuja paixão estava fadada ao fracasso, mesmo que morresse na empreitada. E Tebaldo é o meu Cappuleto favorito.


Estas alegrias violentas têm fins violentos. Falecendo no triunfo, como fogo e pólvora. Que num beijo se consomem. - Ato II, Cena VI

     O livro é muito breve, tem uma leitura rápida: o enredo desenvolve-se muito rápido.
Depois que o li, me apaixonei. Sempre gostei de amores impossíveis e fins trágicos (isso soou meio dark, mas não sou tão trágica assim...). Mas o que me conquistou mesmo foi o amor verdadeiro que os dois expressaram.




Amarga Herança de Leo | Isabel Vieira




Por Larissa Almeida     
Em 10 de janeiro de 2017

Na infância e adolescência Flora e Leo viveram um relacionamento que era considerado uma verdadeira "parceria cósmica". Mas o tempo passou e Leo se envolveu com as drogas e foi embora para Londres. Quando retornou, a transa trouxe o medo da AIDS. Após a morte de Leo, aos 21 anos, Flora - única amiga que sabe que ele foi vítima da AIDS - reconstitui a história de sua turma, tentando descobrir como e quando Leo foi contaminado. O final da obra em aberto evoca algo mais trágico: quais entre eles, inclusive a própria Flora, correm o risco de também ser portadores do vírus HIV?
O texto conduz à discussão das relações amorosas e do uso de drogas numa época em que amor e morte andam perigosamente próximos. Novela lírica, sincera e realista sobre as ambições que os jovens de hoje têm a respeito de sua vida sexual.
6ª Resenha do Reino Encantado

Amarga Herança de Leo | Isabel Vieira | 1999 | FTD | 162 páginas


Minha opinião sobre este livro:

Li este paradidático quando estava na 5ª série - ou novo 6º ano - e, particularmente, achei um livro muito avançado para a faixa etária para qual ele foi proposto. Dito isso, este foi o primeiro livro que verdadeiramente me chocou, marcou e me fez chorar. Também foi o primeiro que me decepcionou acerca do final; na época que li fiquei um bom tempo desejando que o final não tivesse sido tão misterioso, tão vago. A primeira frase do livro é um choque.

Embora a história seja sobre o Leo - e sua amarga herança -, é narrada por Flora, amiga e amante, de certa forma platônica, dele. Os dois se conhecem ainda crianças e iniciam quase que instantaneamente uma amizade intensa e um pouco doentia, na minha opinião. Leo é um jovem paquerador, galante, de bem com a vida e amante de rock'n roll. A Flora é uma garota bastante decidida (pelo menos para assuntos que não dizem respeito ao Leo), amável e simpática.

Flora tinha quatro anos e meio quando Leo entrou na vida dela. Ela estava fazendo uma visita à casa da avó e, quando chegou, se deparou com um garoto sorridente e muito galante para a pouca idade que tinha.

- Como você chama? - ele perguntou.
- Flora.
- Flora... - ele repetiu, estranhando. E, depois de um breve silêncio, num impulso galante de sedutor precoce, me estendeu uma florzinha amarela. - Então toma para você, Flora. Quase igual ao seu nome. Só falta o a.


A partir daí os dois desenvolvem uma parceria cósmica, como diz Leo; eles crescem juntos e fazem parte de uma turma de amigos legais que estão sempre juntos para o que der e vier. Contudo, durante a juventude, os dois vivem um romance romântico no pior sentido da palavra: paixão doentia beirando a obsessão e, por mais que não se sintam bem enquanto juntos, não conseguem se afastar um do outro. Como eu disse, Flora é bastante decidida exceto quando o assunto é o Leo e isso é muito chato pois transforma a protagonista de uma garota forte e com personalidade para uma menininha boba e fraca.

Um certo tempo depois, Leo viaja para Londres e lá faz novas amizades; amizades essas que o levam para a perdição, por assim dizer. Após voltar para casa, meses depois, ele é praticamente outra pessoa: não liga para os amigos antigos, só pensa em festas, bebedeiras, farras e drogas. O garoto doce, galanteador, talentoso e impulsivo se fora e dera lugar a um jovem bêbado, drogado que busca ficar com as mais variadas mulheres. A única parte boa da descoberta pela vida que Leo fez enquanto estava em Londres foi The Beatles, The Doors e Jimi Hendrix.

Flora sempre fora apaixonada por Leo. Contudo, após se pegar mais uma vez chorando pelo garoto, ela nota que os dois juntos acabam sofrendo mais do que quando estão separados. Decidida a se afastar (finalmente!), eles se despedem da maneira como apenas dois amantes podem se despedir. Confesso que chorei nessa parte, nunca lidei bem com despedidas.

Flora inicia então um relacionamento com Tómas, um cara simpático e gente boa. Ela se sente finalmente feliz, sente dando um rumo adequado para sua vida. Pelo menos até Leo pedir para a encontrar novamente, pela última vez, para terem uma conversa séria. Nesse momento da história eu realmente joguei as mãos para cima e quase larguei a leitura, pois achei que seria mais do mesmo: Leo a chamaria, Flora se transformaria em uma manteiga derretida e largaria tudo para ficar com ele. Mas não. Me surpreendi com o quão maduro e responsável Leo estava durante aquela conversa; com o quão resignado ele estava também.

Leo fizera um exame de sangue sem ninguém saber e decidira que Flora era a única pessoa que merecia, por determinados motivos, saber do resultado: ele era HIV positivo, e ela podia ser também já que tiveram uma relação sexual sem proteção não fazia muito tempo. Não é exatamente spoiler (já que está na sinopse) dizer que pouco tempo depois Leo morre vítima de AIDS e Flora é a única a saber a causa da morte dele.

A Amarga Herança de Leo possui várias ilustrações, uma mais bonita que a outra. Agora, a mais bonita que achei foi esta:

Não gostei do final aberto do livro pois não ficamos sabendo se Flora foi ou não contaminada (se foi, quer dizer que pode ter contaminado o namorado, Tómas, também). Mas o final aberto é proposital, de acordo com a autora, já que ela quis alertar sobre o risco. O risco de bobear e acreditar que o amor protege. Com relação ao HIV, não protege. No final não sabemos o que Flora faz após ter sido confrontada com a possibilidade de ter uma doença grave e bastante mortal, para a época. Eu realmente gostaria de saber a decisão que ela tomou.

Este é aquele tipo de livro que choca ao trazer uma lição de vida. Faz você pensar: e se? E se Leo não tivesse viajado para Londres? E se ele não tivesse tido contado com drogas e relações sexuais sem proteção? E se Flora e ele não tivessem se envolvido sexualmente naquela noite? E se...?
Essas inúmeras questões me deixaram com um aperto no coração e fizeram me perguntar o que poderia ter sido feito para que a história deles terminasse de modo bastante diferente.


Adicione na sua estante!

A Gaiola | Marcia Willett




Por Larissa Almeida     
Em 09 de janeiro de 2017

Ninguém é capaz de prever o momento em que a vida está prestes a mudar de rumo. Felix Hamilton teve o seu ao conhecer a atriz Angel Blake. Dali em diante ele soube: sua vida nunca mais seria a mesma. Assim começa A Gaiola, segundo romance de Marcia Willett publicado do Brasil. A paixão que nasce entre os dois, no entanto, encontra empecilhos: Feliz está casado com Marina, uma mulher fria e possessiva, e tem medo de que ela o separe filho, Piers. Anos mais tarde, quando a filha de Angel, Lizzie, encontra Piers pela primeira vez, depara-se com uma família despedaçada que, incrivelmente, precisará dela para curar as feridas. Atravessando décadas e gerações, A Gaiola apresenta a história de um homem diante de um dilema de vida - ser verdadeiro consigo mesmo ou sacrificar-se pelas pessoas que ele prometeu proteger. E as consequências de suas decisões, só o futuro mostrará. Um livro que viaja deliciosamente pelo passado e pelo presente dos personagens, mostrando como tudo na vida está ligado às escolhas realizadas.
3ª Resenha do Reino Encantado

A Gaiola | Marcia Willett | 2011 | Bertrand Brasil | 406 páginas


Minha opinião sobre este livro:

Ganhei este livro de presente de aniversário (de 17 anos) e me apaixonei à primeira vista pela capa: os pássaros, as flores, a gaiola, as cores, os desenhos e as letras em auto-relevo, simplesmente amei. Apesar disso, e de eu costumar ler livros ansiosamente apenas pela beleza da capa, adiei a leitura dele e o deixei de lado na estante por um bom tempo. Eu não conhecia a autora, nunca tinha lido um livro dela, nem lido sobre ela, então me senti um pouco receosa em ler (na época que ganhei eu estava fugindo de livros de romance). Mas saber que eu tinha deixado de lado aquele presente delicado me fez querer deixar o receio de lado e iniciar a leitura. Porém, confesso que este foi um dos livros que mais demorei para concluir a leitura, ou, ao menos, para conseguir engatar a leitura. Eu lia um ou dois capítulos numa semana e parava, dando preferência a outro enquanto dizia para mim mesma que o leria em seguida. Não sei quanto tempo levou, quase um ano talvez, para eu finalmente agarrar com unhas e dentes A Gaiola e o ler sem pausas ou desculpas.

Este livro é uma delícia de ler. Me surpreendi e fiquei encantadíssima com o enredo que a Marcia Willett criou para esta obra e com o seu modo de escrita bem delineado e sem enrolação. Personagens autênticos com personalidades fortes e bem definidas; impossível não se apaixonar e torcer por todos, praticamente. Se você estiver querendo o ler, já prepare o coração e espere por fortes emoções. Eu derramei uma lágrima ou duas durante a leitura.

Eu mencionei na resenha que escrevi sobre o livro A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista, de Jennifer E. Smith, a raridade com que um livro me faz sentir uma sensação de completude e A Gaiola fez eu sentir a mesma sensação curiosa que mencionei lá do título dar vida à história e não o contrário.

A gaiola fora o apelido dado à casa alta e estreita no início da década de 1960, tão logo a agência soube que ali moravam três mulheres, uma delas chamada Pidgeon, que significa "pombo" em inglês.


Basicamente conta a história de Lizzie Blake, filha de uma linda e talentosa atriz, a Angel Blake, que ainda criança percebe as visitas cada vez mais frequentes de um certo homem na casa - estranha e curiosamente chamada de A Gaiola - que morava com sua mãe e a amiga dela, Pidgeon (ou Pidge para os mais íntimos). Ela era somente uma criança quando Félix Hamilton começou a visitar sua mãe. Lizzie, muito nova, não entendia o porquê daqueles encontros serem sempre às escondidas ou o motivo da sua mãe não poder se casar com Félix. Para ela, Félix era o homem mais gentil, carismático e divertido que conhecia e o que mais desejava no mundo era que ele fosse seu pai.
Porque sua mãe não se casava com Félix já que claramente o amava? Ela sabia que Félix a amava como uma filha. Ou ele não a amava?

Trinta e cinco anos depois, nos deparamos com uma Lizzie bem mais madura seguindo os passos da mãe ao se tornar uma atriz bastante famosa por seus trabalhos mas, em um certo ponto, se sente assombrada com o passado. O marido dela tinha falecido havia três meses, a única pessoa que ainda podia chamar de família já que perdera há algum tempo sua mãe e Pidge. Ela se vê, então, sem rumo e completamente sozinha no mundo apesar da fama que carregava. Se sentindo afundar cada vez mais, decide retornar à Gaiola, a casa na qual crescera e fora tão feliz. Contudo, ao entrar na casa nota que a pequena gaiola que sempre permanecera perdurada sobre o piano na sala - o símbolo daquela residência - não estava mais lá. Após esse choque inicial, aos poucos, as memórias do passado vivido ali ressurgem, fazendo-a se lembrar dos momentos felizes que tivera junto à mãe, Pidge e Félix.

Esta ida, em memórias, para o passado e o desejo de conseguir respostas para suas perguntas antigas, a motiva, num arrombo de ansiedade e receosa esperança, a viajar para Dunster, local onde o amante de sua mãe morava; aquele que ela não via desde os 11 anos de idade e que um dia amou como somente uma filha amava um pai.

Félix, agora idoso, mora sozinho em um apartamento e recebe raramente a visita do filho, Piers. Mesmo após tantos anos, Piers ainda guarda ressentimentos pelo fato do pai ter traído a mãe com a atriz, Angelina Blake. Quando Marina Hamilton, uma mulher muito possessiva, fria e perigosamente ciumenta, descobriu que estava sendo traída pelo marido, lhe fez um ultimato: ou ele rompia a relação com a amante, ou se divorciava dela e nunca mais veria o filho. Félix se viu, então, dividido por uma difícil escolha.

Este livro é dividido em três partes: a primeira nos mostra como Angel e Félix se conheceram, mostra o modo como o relacionamento deles evoluiu até se encontrarem emocionalmente envolvidos. Ou seja, apresenta a essência, o início, da história que é desencadeada pelas atitudes de Félix em relação à própria família e a sua relação com a amante; na segunda parte, trinta e cinco anos depois da difícil decisão que Félix foi obrigado a ter, muita coisa aconteceu e novos personagens surgem na história, apresenta também os ressentimentos de Piers para com seu pai e o início da busca pelo passado de Lizzie; já na terceira parte, descobrimos os acontecimentos e reflexos na vida das personagens ao serem confrontados com a presença dela e o que ela representa - ou representava.

O único ponto negativo, na minha opinião, do livro foi a inclusão da história de Gemma e Guy que acabou sem quaisquer conclusões. Acredito que poderia ter sido melhor desenvolvido na obra.

Este é um livro que fala sobre traição, amor, escolhas, ressentimentos, perdas e sobre o poder da redenção. Intercala o passado e o presente de uma maneira incrível, sem criar confusão na narrativa. Amei apesar de particularmente não ser o estilo de livro que eu escolheria ler sem a ajuda de uma recomendação externa. Só tenho que "reclamar", entre aspas mesmo, do final, pois não foi o que eu esperava ao deixar um ar de precisa de uma continuação. Foi um final muito vago para uma história tão densa e intrigante quanto esta. Se não fosse por este detalhe teria entrado para minha lista de livros favoritos.


Adicione na sua estante!