O Reino Encantado de uma Leitora: Romance
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Straight Boy | Alessandra Hazard




Por Larissa Almeida     
Em 22 de setembro de 2017

Jovem, loiro e bonito, Sage atrai atenção indesejada na prisão. Quando seu companheiro de cela oferece-o proteção, Sage aceita a oferta embora ele não confia no cara. Mal sabe ele como isso mudará a sua vida. Quando ele é liberado da prisão, Sage encontra a si mesmo precisando e querendo coisas que ele não deveria querer. Sage é hétero. Ele realmente é. Ele tem uma namorada. O que aconteceu na prisão permanece na prisão - ou é o que Sage diz a si mesmo. Até que ele encontra seu antigo companheiro de cela novamente. Xavier. O cara que ele odeia e anseia.
68ª Resenha do Reino Encantado

Garoto Hétero | 2014 | Straight Guys Livro 0.5 | Independente | 48 páginas
Minha opinião sobre este livro:

Sage levava uma vida normal, tem uma linda namorada, a Laura - com quem planejava se casar um dia -, um bom emprego e uma família bem estruturada. Até que num dia fatídico, ele acaba cometendo um enorme erro envolvendo uma grande quantidade de álcool, um carro e um pedestre azarado. Receita certa para um desastre. E não deu em outra.

Condenado a um ano na prisão para pagar pelo crime que cometeu, ele se sente completamente apavorado pois já tinha ouvido falar das histórias sobre o que os detentos faziam com os outros dentro do cárcere. Porém, mesmo apavorado, não tinha alternativas a não ser pagar seu débito com a justiça e a sociedade.

Meio constrangido e completamente arrependido, Sage se despede de Laura pensando se não seria melhor terminar o relacionamento deles graças à culpa que sentia por fazê-la esperar do lado de fora enquanto ele estava preso. Para ele, ela merecia alguém melhor. E, na minha opinião, ele está certo. O problema é que Sage se vitimiza a todo instante de forma quase patética, pensando apenas nos abusos que poderia vir a sofrer na cadeia e não na própria irresponsabilidade que o colocara lá; culpando seu companheiro de cela - seu protetor e carrasco, de acordo com Sage - pelos novos desejos que afloravam em seu ser.

Tinha momentos na leitura que dava vontade de entrar no livro e sacudi-lo até ele voltar à realidade. Eu até entendo o quão ruim é pensar na possibilidade de ser obrigado a fazer algo contra a própria vontade mas a paranoia dele é excessiva.

Por falar no companheiro de cela, ele se chama Xavier, um cara alto, musculoso e com uma aura misteriosa; o típico bad boy. Já no primeiro dia na prisão, Sage chama a atenção de Xavier por sua aparência física atraente. Uma parte que não gostei é que, assim como todos os outros personagens, Sage usa a própria beleza como desculpa para os olhares "cobiçosos" que recebe, o fazendo ser rebaixado a um simples pedaço de carne. Sim, ele é bonito e atraente, mas realmente precisa ficar mencionando isso a todo instante?!

Xavier é bastante respeitado - temido - na cadeia graças aos crimes que cometeu (em nenhum momento diz quais crimes foram esses mas fica claro que foram bastante graves) então faz de Sage sua propriedade, quase um escravo, o protegendo dos avanços libidinosos dos outros detentos, o que acaba atraindo ciúmes, intrigas e desconfianças. Sage não entende porque Xavier o mantem por perto (acredito que o próprio Xavier não entenda também) e se sente cada vez mais confuso com sentimentos contraditórios e desejos obscuros nunca antes sentidos.

Com os meses passando, Sage se vê cada vez mais entendiado graças a rotina monótona da prisão mas ao mesmo tempo mais confuso com seus sentimentos. Xavier se torna seu carrasco, o tratando como um objeto mas, ao mesmo tempo, seu protetor, deixando ninguém machucá-lo nem encostar nele. Após um ano de reclusão chega o tão aguardado dia de liberdade. Sage se vê livre para voltar à sua vida normal com sua namorada amorosa e paciente. Contudo ele não consegue se sentir o mesmo, se sentir bem e feliz. Com as noites intercalando entre insônia e intensos sonhos com um certo cara musculoso, Sage se deprime mais a cada dia.

Por vê-lo sofrendo tanto, Laura incentiva-o a procurar ajuda médica. Apenas querendo agradar sua namorada, ele aceita a recomendação apesar de achar que não tem nada de errado consigo. Mas em uma das seções Sage percebe o óbvio: ele precisa estar com Xavier novamente. Contudo qual seria a probabilidade disso acontecer? Muito pequena, certo?

Não há uma coisa como normal. Não há uma definição de normal. Normal é subjetivo. Você não pode - você não deve - forçar você mesmo a querer algo normal e parar de querer o que você verdadeiramente quer. A não ser que queira viver uma vida miserável.

Sage durante a maior parte do livro é uma junção de "não é você, sou eu" ao falar com Laura e "a culpa é sua, você me corrompeu, eu sou inocente" ao falar com Xavier. Porém, de um jeito ou de outro, ele não para de se vitimizar.

Straight Boy é uma típica história de um cara hétero que redescobre sua sexualidade, sente preconceito de si mesmo e joga a culpa no outro. É uma leitura fácil (apesar do tema) e rápida. No geral, eu gostei da história e do modo de escrita da autora, só não gostei do Sage. Ansiosa para ler mais livros dela.

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Os Segredos do Teu Olhar | Carina Doson




Por Larissa Almeida     
Em 24 de agosto de 2017

"Encontre-me." Com este pedido, Marcus começou uma destruição que não poderia ser parada - a destruição do mundo perfeito de Cecília. Mesmo abalada, a moça lutará contra toda a lógica para atender ao pedido absurdo e surreal de seu noivo, tentando recuperar a centelha de vida que se apagou de seu olhar em algum ponto ao longo do caminho. Anteriormente publicado sob o título "Desvendando os segredos do teu olhar"
66ª Resenha do Reino Encantado

Os Segredos do Teu Olhar | Carina Doson | 2017 | Amazon | 58 páginas
Minha opinião sobre este livro:

Lindo, lindo, lindooo!! No início da leitura deste conto fiquei confusa. Cheguei na metade da história e fiquei mais confusa ainda mas o final é super surpreendente e explicativo. Ele é totalmente inesperado e imprevisível realmente.

Cecília e Marcus se conheceram no colégio quando ainda eram adolescentes e se apaixonaram. Anos de namoro depois, estão finalmente noivos e felizes. Após o noivado, Cecília começa a notar, de repente, que seu amado não demonstra ter vida em seus olhos, era como o olhar dele fosse dois buracos negros sugando toda a luz ao redor. Achando que o noivado a fez ver coisas que não existem, ela acredita ser uma impressão errada. Contudo, numa noite, ela é surpreendida ao avistar uma faísca de vida nos olhos de Marcus - a mesma faísca que a tinha feito se apaixonar quando eram adolescentes - por meros segundos e ao ouvir um pedido de socorro estranho saindo dos lábios dele. Aquele pedido estranho fez o sangue dela gelar pois era como se Markus estivesse perdido, preso, em algum lugar distante e aquela pessoa na frente de Cecília fosse apenas uma casca do homem quem tanto amava.

Mesmo achando que estava ficando louca e apenas imaginando coisas, Cecília retorna à escola onde eles estudaram juntos para tentar obter respostas e conseguir trazer a vida de volta aos olhos do seu amado. A partir daí as coisas ficam um pouco confusas, com a realidade e o presente misturando-se às lembranças e o passado.

Apesar da forma como o presente e o passado são intercalados na narrativa, e da confusão que isso pode vir a acarretar, o final vale totalmente a pena. Ele é totalmente surpreendente e imprevisível, como mencionei antes! Quando terminei a leitura, parei por um momento e fiquei imaginando se algo assim acontecesse comigo... seria bastante desorientador!


Pelo fato do final ter me surpreendido tanto, resolvi falar sobre ele aqui. Se você não quiser saber, não continue lendo!
Eu realmente jamais imaginaria que todos os anos de felicidade que Cecília viveu com Markus na verdade não passaram de sonhos. Sim. Sonhos! No final descobrimos que Cecília ainda é adolescente, apenas uma colega de classe de Markus, e que tinha estado em coma durante 6 dias. Ou seja, toda a vida que ela "viveu" com Marcus não tinha acontecido realmente.

"Você estava lá. [...] Mesmo sendo mentira, foi real. Eu tenho lembranças suas que você não tem. Para você foram seis dias, para mim foram anos, Marcus!"

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A Noiva | Vitor Emmanuell




Por Larissa Almeida     
Em 22 de agosto de 2017

UM CASAMENTO. UM BEIJO. UMA TRAIÇÃO. Amanda Silva está prestes a se casar com o homem de sua vida. Uma sensação angustiante toma a garota. Ela percebe que realmente não o ama, que ele é apenas seu melhor amigo. Ao conhecer Vinícius nas vésperas de seu casamento, o cozinheiro engraçado, bonito e tentador, Amanda acaba por entender que o amor não possui limites e que um novo amor pode se iniciar diante de uma discussão.
65ª Resenha do Reino Encantado

A Noiva | Vitor Emmanuell | 2013 | Independente | 11 páginas
Minha opinião sobre este livro:

Estou bastante surpresa pois, confesso, não esperava muito desse conto mas não é que eu gostei?!
Estava tudo certo: Amanda em menos de 24 horas iria se casar com Bruno Porto, um médico bem sucedido e rico. Ele era perfeito para uma mulher como ela. Mas tinha um porém: ela não o amava ao ponto de realmente desejar passar o resto de sua vida ao lado dele. Com os pensamentos e dúvidas a atormentando, Amanda decide ir à igreja na tentativa de acalmar seu coração. E é lá que encontra Vinícius, um rapaz bem-humorado e prestativo, que a faz rir como nunca tinha rido antes. Mesmo não o conhecendo, ela aceita o ombro amigo que ele oferece e expressa seus anseios e dúvidas. Tentando animá-la, ele mostra à noiva indecisa que ela pode sim escolher outro destino, um que não a deixasse tão angustiada.

Você não vai se casar. Você não o ama, você não quer se casar. Ouvi isso há alguns minutos, e em alto bom som e muito eco. - riu ele.

O jovem escritor mostrou que leva muito jeito com as palavras ao apresentar uma história bem amarrada, leve e divertida escrita em apenas 11 páginas. Tendo o casamento como pano de fundo, o conto foca nos conflitos que a noiva enfrenta consigo mesma nas vésperas da cerimônia. Esse livro fala sobre amor, insegurança e decisões importantes. Adorei!

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Romeu e Julieta | William Shakespeare




Páginas: 149
Editora: Martin Claret
Autor: William Shakespeare
Lançamento: 2008 (essa versão)

Sinopse:
Em Verona, na Itália, por volta de 1600, a rivalidade entre os Montecchios e os Cappuletos acentua-se e os conflitos estendem-se a parentes e criados, apesar do apelo do príncipe pela paz. Num baile de máscaras na casa dos Cappuletos, Romeu Montecchio conhece Julieta Cappuleto. A paixão é mútua e instantânea. Ao descobrir que pertencem a famílias inimigas, os dois se desesperam. Resolvem casar-se secretamente, com a cumplicidade de frei Lourenço. No entanto, o destino desse amor seria trágico.



8ª Resenha do 'Mundo do Leitor'

CLASSIFICAÇÃO:



Minha opinião sobre este livro:


    Confesso que nunca tinha lido o clássico Romeu e Julieta, só sabia o que "contavam" sobre este livro: as famílias inimigas, o amor verdadeiro, a confusão, o veneno e o fim trágico.

    Mas quem não conhece a história deles? O amor impossível do jovem casal de famílias inimigas? Pois é, tudo o que falam está no livro, nada a mais. Eu adorei ler porque eu fiquei sabendo os detalhes deste enredo: o baile de máscara, o nome de algumas personagens que eu não conhecia antes, assim como suas respectivas personalidades e certos acontecimentos que eu desconhecia.

  Romeu e Julieta apaixonam-se à primeira vista no baile de máscaras da família Cappuleto, sem saberem que as suas famílias são inimigas. E, ao descobrirem, se desesperam.

Nasce o amor desse ódio que arde?Vi sem saber, ao saber era tarde.Louco parto de amor houve comigo.Tenho agora de amar meu inimigo.- Ato I, Cena V

    Contrariando toda a problemática que a paixão deles causaria, resolvem atar os laços deste amor casando-se secretamente com a ajuda e a cumplicidade do frei Lourenço. Muito romântico, não é? Pense bem, pois muitos problemas surgem a partir daí.
    As brigas entre as duas família sufocam e dificultam o amor dos dois. Numa dessas brigas, Romeu mata Tebaldo e é obrigado a deixar Verona. Em meio a tristeza por estar longe do amado, e não saber quando voltará a vê-lo, e ao luto por seu primo, o pai de Julieta marca o seu casamento com o conde Páris para dali a alguns dias.

   Sem saber o que fazer, pois já estava casada com Romeu, a jovem procura o frei Lourenço em busca de ajuda. Este, então, entrega-a um elixir que fará com que ela pareça morta, para poder, assim, fugir e viver com seu verdadeiro amor.

   Tudo dá certo, exceto que Romeu não recebe a mensagem com o plano do frei. Ele pensa que ela morreu mesmo. Então decide morrer junto da amada tomando o veneno. Julieta acorda e vê Romeu morto ao seu lado e se mata com uma adaga.

    Benvólio é, depois de Romeu, meu Monttechio favorito. Ele colocou-se a disposição para ajudar o primo, cuja paixão estava fadada ao fracasso, mesmo que morresse na empreitada. E Tebaldo é o meu Cappuleto favorito.


Estas alegrias violentas têm fins violentos. Falecendo no triunfo, como fogo e pólvora. Que num beijo se consomem. - Ato II, Cena VI

     O livro é muito breve, tem uma leitura rápida: o enredo desenvolve-se muito rápido.
Depois que o li, me apaixonei. Sempre gostei de amores impossíveis e fins trágicos (isso soou meio dark, mas não sou tão trágica assim...). Mas o que me conquistou mesmo foi o amor verdadeiro que os dois expressaram.




Amarga Herança de Leo | Isabel Vieira




Por Larissa Almeida     
Em 10 de janeiro de 2017

Na infância e adolescência Flora e Leo viveram um relacionamento que era considerado uma verdadeira "parceria cósmica". Mas o tempo passou e Leo se envolveu com as drogas e foi embora para Londres. Quando retornou, a transa trouxe o medo da AIDS. Após a morte de Leo, aos 21 anos, Flora - única amiga que sabe que ele foi vítima da AIDS - reconstitui a história de sua turma, tentando descobrir como e quando Leo foi contaminado. O final da obra em aberto evoca algo mais trágico: quais entre eles, inclusive a própria Flora, correm o risco de também ser portadores do vírus HIV?
O texto conduz à discussão das relações amorosas e do uso de drogas numa época em que amor e morte andam perigosamente próximos. Novela lírica, sincera e realista sobre as ambições que os jovens de hoje têm a respeito de sua vida sexual.
6ª Resenha do Reino Encantado

Amarga Herança de Leo | Isabel Vieira | 1999 | FTD | 162 páginas


Minha opinião sobre este livro:

Li este paradidático quando estava na 5ª série - ou novo 6º ano - e, particularmente, achei um livro muito avançado para a faixa etária para qual ele foi proposto. Dito isso, este foi o primeiro livro que verdadeiramente me chocou, marcou e me fez chorar. Também foi o primeiro que me decepcionou acerca do final; na época que li fiquei um bom tempo desejando que o final não tivesse sido tão misterioso, tão vago. A primeira frase do livro é um choque.

Embora a história seja sobre o Leo - e sua amarga herança -, é narrada por Flora, amiga e amante, de certa forma platônica, dele. Os dois se conhecem ainda crianças e iniciam quase que instantaneamente uma amizade intensa e um pouco doentia, na minha opinião. Leo é um jovem paquerador, galante, de bem com a vida e amante de rock'n roll. A Flora é uma garota bastante decidida (pelo menos para assuntos que não dizem respeito ao Leo), amável e simpática.

Flora tinha quatro anos e meio quando Leo entrou na vida dela. Ela estava fazendo uma visita à casa da avó e, quando chegou, se deparou com um garoto sorridente e muito galante para a pouca idade que tinha.

- Como você chama? - ele perguntou.
- Flora.
- Flora... - ele repetiu, estranhando. E, depois de um breve silêncio, num impulso galante de sedutor precoce, me estendeu uma florzinha amarela. - Então toma para você, Flora. Quase igual ao seu nome. Só falta o a.


A partir daí os dois desenvolvem uma parceria cósmica, como diz Leo; eles crescem juntos e fazem parte de uma turma de amigos legais que estão sempre juntos para o que der e vier. Contudo, durante a juventude, os dois vivem um romance romântico no pior sentido da palavra: paixão doentia beirando a obsessão e, por mais que não se sintam bem enquanto juntos, não conseguem se afastar um do outro. Como eu disse, Flora é bastante decidida exceto quando o assunto é o Leo e isso é muito chato pois transforma a protagonista de uma garota forte e com personalidade para uma menininha boba e fraca.

Um certo tempo depois, Leo viaja para Londres e lá faz novas amizades; amizades essas que o levam para a perdição, por assim dizer. Após voltar para casa, meses depois, ele é praticamente outra pessoa: não liga para os amigos antigos, só pensa em festas, bebedeiras, farras e drogas. O garoto doce, galanteador, talentoso e impulsivo se fora e dera lugar a um jovem bêbado, drogado que busca ficar com as mais variadas mulheres. A única parte boa da descoberta pela vida que Leo fez enquanto estava em Londres foi The Beatles, The Doors e Jimi Hendrix.

Flora sempre fora apaixonada por Leo. Contudo, após se pegar mais uma vez chorando pelo garoto, ela nota que os dois juntos acabam sofrendo mais do que quando estão separados. Decidida a se afastar (finalmente!), eles se despedem da maneira como apenas dois amantes podem se despedir. Confesso que chorei nessa parte, nunca lidei bem com despedidas.

Flora inicia então um relacionamento com Tómas, um cara simpático e gente boa. Ela se sente finalmente feliz, sente dando um rumo adequado para sua vida. Pelo menos até Leo pedir para a encontrar novamente, pela última vez, para terem uma conversa séria. Nesse momento da história eu realmente joguei as mãos para cima e quase larguei a leitura, pois achei que seria mais do mesmo: Leo a chamaria, Flora se transformaria em uma manteiga derretida e largaria tudo para ficar com ele. Mas não. Me surpreendi com o quão maduro e responsável Leo estava durante aquela conversa; com o quão resignado ele estava também.

Leo fizera um exame de sangue sem ninguém saber e decidira que Flora era a única pessoa que merecia, por determinados motivos, saber do resultado: ele era HIV positivo, e ela podia ser também já que tiveram uma relação sexual sem proteção não fazia muito tempo. Não é exatamente spoiler (já que está na sinopse) dizer que pouco tempo depois Leo morre vítima de AIDS e Flora é a única a saber a causa da morte dele.

A Amarga Herança de Leo possui várias ilustrações, uma mais bonita que a outra. Agora, a mais bonita que achei foi esta:

Não gostei do final aberto do livro pois não ficamos sabendo se Flora foi ou não contaminada (se foi, quer dizer que pode ter contaminado o namorado, Tómas, também). Mas o final aberto é proposital, de acordo com a autora, já que ela quis alertar sobre o risco. O risco de bobear e acreditar que o amor protege. Com relação ao HIV, não protege. No final não sabemos o que Flora faz após ter sido confrontada com a possibilidade de ter uma doença grave e bastante mortal, para a época. Eu realmente gostaria de saber a decisão que ela tomou.

Este é aquele tipo de livro que choca ao trazer uma lição de vida. Faz você pensar: e se? E se Leo não tivesse viajado para Londres? E se ele não tivesse tido contado com drogas e relações sexuais sem proteção? E se Flora e ele não tivessem se envolvido sexualmente naquela noite? E se...?
Essas inúmeras questões me deixaram com um aperto no coração e fizeram me perguntar o que poderia ter sido feito para que a história deles terminasse de modo bastante diferente.


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A Gaiola | Marcia Willett




Por Larissa Almeida     
Em 09 de janeiro de 2017

Ninguém é capaz de prever o momento em que a vida está prestes a mudar de rumo. Felix Hamilton teve o seu ao conhecer a atriz Angel Blake. Dali em diante ele soube: sua vida nunca mais seria a mesma. Assim começa A Gaiola, segundo romance de Marcia Willett publicado do Brasil. A paixão que nasce entre os dois, no entanto, encontra empecilhos: Feliz está casado com Marina, uma mulher fria e possessiva, e tem medo de que ela o separe filho, Piers. Anos mais tarde, quando a filha de Angel, Lizzie, encontra Piers pela primeira vez, depara-se com uma família despedaçada que, incrivelmente, precisará dela para curar as feridas. Atravessando décadas e gerações, A Gaiola apresenta a história de um homem diante de um dilema de vida - ser verdadeiro consigo mesmo ou sacrificar-se pelas pessoas que ele prometeu proteger. E as consequências de suas decisões, só o futuro mostrará. Um livro que viaja deliciosamente pelo passado e pelo presente dos personagens, mostrando como tudo na vida está ligado às escolhas realizadas.
3ª Resenha do Reino Encantado

A Gaiola | Marcia Willett | 2011 | Bertrand Brasil | 406 páginas


Minha opinião sobre este livro:

Ganhei este livro de presente de aniversário (de 17 anos) e me apaixonei à primeira vista pela capa: os pássaros, as flores, a gaiola, as cores, os desenhos e as letras em auto-relevo, simplesmente amei. Apesar disso, e de eu costumar ler livros ansiosamente apenas pela beleza da capa, adiei a leitura dele e o deixei de lado na estante por um bom tempo. Eu não conhecia a autora, nunca tinha lido um livro dela, nem lido sobre ela, então me senti um pouco receosa em ler (na época que ganhei eu estava fugindo de livros de romance). Mas saber que eu tinha deixado de lado aquele presente delicado me fez querer deixar o receio de lado e iniciar a leitura. Porém, confesso que este foi um dos livros que mais demorei para concluir a leitura, ou, ao menos, para conseguir engatar a leitura. Eu lia um ou dois capítulos numa semana e parava, dando preferência a outro enquanto dizia para mim mesma que o leria em seguida. Não sei quanto tempo levou, quase um ano talvez, para eu finalmente agarrar com unhas e dentes A Gaiola e o ler sem pausas ou desculpas.

Este livro é uma delícia de ler. Me surpreendi e fiquei encantadíssima com o enredo que a Marcia Willett criou para esta obra e com o seu modo de escrita bem delineado e sem enrolação. Personagens autênticos com personalidades fortes e bem definidas; impossível não se apaixonar e torcer por todos, praticamente. Se você estiver querendo o ler, já prepare o coração e espere por fortes emoções. Eu derramei uma lágrima ou duas durante a leitura.

Eu mencionei na resenha que escrevi sobre o livro A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista, de Jennifer E. Smith, a raridade com que um livro me faz sentir uma sensação de completude e A Gaiola fez eu sentir a mesma sensação curiosa que mencionei lá do título dar vida à história e não o contrário.

A gaiola fora o apelido dado à casa alta e estreita no início da década de 1960, tão logo a agência soube que ali moravam três mulheres, uma delas chamada Pidgeon, que significa "pombo" em inglês.


Basicamente conta a história de Lizzie Blake, filha de uma linda e talentosa atriz, a Angel Blake, que ainda criança percebe as visitas cada vez mais frequentes de um certo homem na casa - estranha e curiosamente chamada de A Gaiola - que morava com sua mãe e a amiga dela, Pidgeon (ou Pidge para os mais íntimos). Ela era somente uma criança quando Félix Hamilton começou a visitar sua mãe. Lizzie, muito nova, não entendia o porquê daqueles encontros serem sempre às escondidas ou o motivo da sua mãe não poder se casar com Félix. Para ela, Félix era o homem mais gentil, carismático e divertido que conhecia e o que mais desejava no mundo era que ele fosse seu pai.
Porque sua mãe não se casava com Félix já que claramente o amava? Ela sabia que Félix a amava como uma filha. Ou ele não a amava?

Trinta e cinco anos depois, nos deparamos com uma Lizzie bem mais madura seguindo os passos da mãe ao se tornar uma atriz bastante famosa por seus trabalhos mas, em um certo ponto, se sente assombrada com o passado. O marido dela tinha falecido havia três meses, a única pessoa que ainda podia chamar de família já que perdera há algum tempo sua mãe e Pidge. Ela se vê, então, sem rumo e completamente sozinha no mundo apesar da fama que carregava. Se sentindo afundar cada vez mais, decide retornar à Gaiola, a casa na qual crescera e fora tão feliz. Contudo, ao entrar na casa nota que a pequena gaiola que sempre permanecera perdurada sobre o piano na sala - o símbolo daquela residência - não estava mais lá. Após esse choque inicial, aos poucos, as memórias do passado vivido ali ressurgem, fazendo-a se lembrar dos momentos felizes que tivera junto à mãe, Pidge e Félix.

Esta ida, em memórias, para o passado e o desejo de conseguir respostas para suas perguntas antigas, a motiva, num arrombo de ansiedade e receosa esperança, a viajar para Dunster, local onde o amante de sua mãe morava; aquele que ela não via desde os 11 anos de idade e que um dia amou como somente uma filha amava um pai.

Félix, agora idoso, mora sozinho em um apartamento e recebe raramente a visita do filho, Piers. Mesmo após tantos anos, Piers ainda guarda ressentimentos pelo fato do pai ter traído a mãe com a atriz, Angelina Blake. Quando Marina Hamilton, uma mulher muito possessiva, fria e perigosamente ciumenta, descobriu que estava sendo traída pelo marido, lhe fez um ultimato: ou ele rompia a relação com a amante, ou se divorciava dela e nunca mais veria o filho. Félix se viu, então, dividido por uma difícil escolha.

Este livro é dividido em três partes: a primeira nos mostra como Angel e Félix se conheceram, mostra o modo como o relacionamento deles evoluiu até se encontrarem emocionalmente envolvidos. Ou seja, apresenta a essência, o início, da história que é desencadeada pelas atitudes de Félix em relação à própria família e a sua relação com a amante; na segunda parte, trinta e cinco anos depois da difícil decisão que Félix foi obrigado a ter, muita coisa aconteceu e novos personagens surgem na história, apresenta também os ressentimentos de Piers para com seu pai e o início da busca pelo passado de Lizzie; já na terceira parte, descobrimos os acontecimentos e reflexos na vida das personagens ao serem confrontados com a presença dela e o que ela representa - ou representava.

O único ponto negativo, na minha opinião, do livro foi a inclusão da história de Gemma e Guy que acabou sem quaisquer conclusões. Acredito que poderia ter sido melhor desenvolvido na obra.

Este é um livro que fala sobre traição, amor, escolhas, ressentimentos, perdas e sobre o poder da redenção. Intercala o passado e o presente de uma maneira incrível, sem criar confusão na narrativa. Amei apesar de particularmente não ser o estilo de livro que eu escolheria ler sem a ajuda de uma recomendação externa. Só tenho que "reclamar", entre aspas mesmo, do final, pois não foi o que eu esperava ao deixar um ar de precisa de uma continuação. Foi um final muito vago para uma história tão densa e intrigante quanto esta. Se não fosse por este detalhe teria entrado para minha lista de livros favoritos.


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A Probabilidade Estatística Do Amor À Primeira Vista | Jennifer E. Smith




Por Larissa Almeida     
Em 08 de janeiro de 2017

E se? Três letrinhas com o peso das decisões. E se você pegar o metrô e não o ônibus? Sorrir para um estranho ou abaixar o rosto? E se Hadley tivesse saído de casa mais cedo? Quatro minutos. Duzentos e quarenta segundos. Por conta desse pequeno improviso cronológico, ela perde o voo. Mas encontra seu destino. Quem pode dizer que isso não faz parte de algum plano cósmico? Quando acorda naquela manhã, Hadley só pensa que aquele será o pior dia de sua vida. Sim, ela vai para Londres. Sim, a cidade parece ser tudo o que os folders de turismo prometem. Mas o que a espera a aterrizar em Heathrow não é a guarda da rainha. Nem o alegre badalar do Big Ben. É o fim de sua família. O novo casamento do pai - com uma sofisticada inglesa -, em meio a novos amigos, outros parentes. Uma vida sem ela. Com o excesso de bagagem afundando seu coração, ela espera outro avião. E acaba conhecendo Oliver, um britânico lindo que a ajuda com a mala. Tanto a física como a emocional. Num golpe de sorte, acaso, fatalidade ou fortuna, ele ocupa o assento ao lado. E ambos cruzam o Atlântico discutindo o futuro, sentimentos, Dickens, literatura, o estofo das nuvens. Ou dos sonhos. Mas depois de chegar a solo inglês, cada um segue seu rumo. Afinal, o que são algumas horas em meio à turbulência e ao péssimo serviço de bordo? Oliver e Hadley têm muito mais com que se preocupar do que o que declarar à aduana. Tudo não passou de um encontro fortuito, certo? Não trocaram telefones... Qual a probabilidade de se encontrarem de novo? Afinal, qual a probabilidade de terem se apaixonado... à primeira vista?
2ª Resenha do Reino Encantado

A Probabilidade Estatística Do Amor À Primeira Vista | Jennifer E. Smith | 2013 | Galera Records | 224 páginas

Favoritado!

Minha opinião sobre este livro:

Estava eu numa livraria, num dia que não me recordo qual agora, procurando livros novos para ler - apesar da minha lista de novas leituras estar sempre lotada... - e eis que me deparo com esta lindíssima (e muito fofa) capa. Isso sem mencionar que me apaixonei pelo título do livro e pela sinopse. Foi amor à primeira vista, com o perdão do trocadilho, e pouco tempo depois me encontrei na fila do caixa com este livro em mãos e certa expectativa correndo por minhas veias.

Apesar disso tenho que confessar que, mesmo ansiosa para ler, no fundo, eu não esperava muito deste livro não. Eu achava que seria repleto de clichês e afins; algo que eu gosto mas não considero extraordinário quando presente em excesso numa história. A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista foi um dos meus - muitos - casos de ler uma obra somente pela capa e/ou título. Não estava preocupada em me decepcionar.

Dito isso, para minha maior surpresa, me peguei virando as páginas uma atrás da outra sem conseguir parar de ler antes de chegar ao final; me identifiquei bastante com a Hadley e me apaixonei pelo Oliver; e torci pela felicidade dos dois, principalmente durante os inúmeros desencontros deles. É clichê, eu sei. E quando eu descobri a explicação do porquê o livro ter esse título, pensei: own... me apaixonei de vez. Achei incrível a esperteza da autora em criar uma linda história a partir de um título, ou seja, de uma frase solta. Na verdade, não sei se a intenção dela era essa mas, pelo que li e compreendi, este livro exemplifica e explica o seu próprio título. É bastante raro uma história me passar essa sensação de complentude e esse é um dos motivos de eu ter a favoritado.

A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista se passa em apenas 24 horas (apesar disso, não deixa pontos soltos), é narrado em terceira pessoa e possui alguns mini-flashbacks. Cada capítulo nos mostra a hora da Costa Leste - EUA - e de Greenwich - Inglaterra. Ele conta a história de Hadley, uma adolescente de 17 anos de idade que se encontra numa difícil situação: viajar para outro país sozinha para estar presente no casamento do seu pai com outra mulher. Mulher essa que ela não conhece mas já sente um enorme ciúme e um certo rancor. Contudo, devido a pequenas situações que a fazem se atrasar quatro minutos, ela perde o voo. Sim, apenas quatro minutos. E isso a deixa mais chateada do que já estava mas mal sabe ela que esses quatro minutos mudarão completamente sua vida.

Enquanto espera o próximo voo com Londres como destino no aeroporto de Nova York, Hadley conhece Oliver (preciso abrir um parênteses rápido aqui sobre o Oliver: não gostei muito do fato da autora em momento algum mencionar o sobrenome do garoto. Todos os outros personagens possuem sobrenomes exceto ele. Não sei se foi intencional ou não, mas senti falta dessa informação, por mais irrelevante que possa parecer). Hadley instataneamente se encanta com Oliver, um britânico fofo e divertido que, por coincidência, viaja no assento ao lado do dela no avião.

Hadley olha para ele pela primeira vez. Seu cabelo é escuro e meio grande demais, e há migalhas na frente da camisa, mas ele tem alguma coisa interessante. Talvez seja o sotaque que, com certeza, é britânico, ou a boca tensa, evitando um sorriso. O coração dela bate mais forte.


Hadley não queria ir ao casamento pois se sentia traída pelo pai e temerosa pela felicidade da mãe que foi arruinada, de acordo com ela. Porém, a própria mãe dela é quem insiste e a convece a ir. Na minha opinião, a Hadley resiste em não aceitar o novo relacionamento do pai (além do óbvio, é claro) por não conhecer a madrasta. Ela conhece Charlotte apenas quando esta entra na igreja, já vestida de noiva, pronta para casar com o pai dela. Eu nunca passei por uma situação dessas mas, para mim, a Hadley transforma a Charlotte em um monstro rápido demais sem dar a mínima chance de a conhecer antes de tirar conclusões.

Agora, o que mais me surpreendeu e me encantou foi o fato da relação Hadley-Oliver não estar centrada na história, não ser o destaque do livro, mas, sim, a relação dela com o pai. Me emocionei bastante com os flashbacks dos dois e com a relação e o vínculo forte que os unia antes da separação. Além disso, a autora conseguiu me surpreender ao adicionar certos eventos da história do Oliver, ou seja, o motivo dele estar voltando para seu antigo país é explicado. Eu não esperava esses acontecimentos e não irei mencioná-los aqui pois seria um tremendo spoiler. Só vou dizer que eles são determinantes no amadurecimento da própria Hadley ao longo do livro e que o Oliver é muito forte. Eu jamais conseguiria agir como ele agiu se estivesse no lugar dele.

- Bem, o dia de hoje está quase chegando ao fim. - comenta Hadley. [...]
- Isso significa que nos encontramos em 24 horas. - diz Oliver.
- Parece ser mais tempo.


A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista é um livro leve e curtinho, contudo sem ser bobo. Pode parecer ser clichê de certa forma mas, acredite, trata com leveza e uma dose de maestria assuntos complicados e difícies. Lá pela metade do livro temos uma pitada de drama. É fofo, bem escrito, nada bobo. É previsível sim, mas imprevisível também. É gostoso de ler, faz o tempo passar rápido. E entrou para os meus favoritos!


Adicione na sua estante!